A PLASTICIDADE POLIFÔNICA DO CONHECIMENTO MÍTICO: AMBIGÜIDADE E IMPLICAÇÃO, RELIGAÇÃO E ENCANTAMENTO

Miguel Almir Lima Araújo

Resumo


 O texto apresenta meditações de cunho filosófico-antropológico acerca do conhecimento mítico considerando sua plasticidade polifônica que se traduz em ambigüidade e implicação, religação e encantamento. No primeiro momento, garimpo sobre o “pensamento simbólico” – o símbolo – compreendendo-o como modo de expressão conjuntiva e polissêmica, curva e alargada que se plasma através da pregnância de imagens, metáforas, alegorias etc que mobilizam nossos sentidos (corporeidade), nossa intuitividade, nossa consciência compreensiva. No segundo momento, me adentro nos territórios do conhecimento mítico com suas características polilógicas e pluriformes, que, mediante a articulação dos sentidos, da intuição, da consciência compreensiva/razão sensível traduz cosmovisões portadoras de valores e crenças, sentidos e significados constituídos através do jogo sincopado de símbolos, de imagens primordiais/arquetípicas – imago mundi – que povoam e inspiram os imaginários humanos. O conhecimento mítico instala-se no tempo kairós e penetra nas dimensões mais internas, fundas e oblíquas da condição humana, em seu estado nascente, re-velando seus sentidos seminais e anímicos encarnados nos desvãos da teia viva e in-tensiva da cultura, do vivido. O mito transita na esfera do inefável, do imponderável, do admirável. Desborda-se na orbe do pathos, dos sonhos plasmando utopias coletivas. Nessa perspectiva, o conhecimento mítico deve coexistir coimplicadamente com os outros modos de conhecimento (científico, filosófico etc) proporcionando a estes uma compreensão e uma vivência dos fenômenos humanos de forma mais vívida e vasta, mais orgânica e fecunda.


Palavras-chave


filosofia da educação, conhecimento mítico, religação, encantamento, polifonia, transdisciplinaridade

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